​on 30/03/2026 at 18:12

#002327 – 12 de Outubro de 2025

A equipa de basket do meu sobrinho, ainda criança, jogou. A outra equipa não tem jogadores suficientes da idade média dos jogadores da equipa do meu sobrinho. Isso significa que mais de metade são do escalão anterior, ou seja, uns dois anos mais novos, em média. Nestas idades, essa diferença é uma montanha inultrapassável. Como sempre nestes torneios, a assistência é composta dos familiares das crianças. Desde o primeiro minuto que noto que atrás de mim estão familiares dos miúdos da equipa adversária da equipa do meu sobrinho. Começam as piadas sobre o desempenho dos seus filhos, netos, sobrinhos. Estas 10, 12 pessoas continuarão o jogo todo assim, a fazer um roast às suas crianças. O roast é em surdina, só é escutado pelos familiares, mas o apoio é sonoro, sempre que há algum esforço dos miúdos. E a bancada quase vem a baixo, quando esta equipa marca os primeiros dois pontos, perdia já a uns 30 a zero. No final os 90-16 mostraram bem a diferença entre as duas equipas. Mas na bancada foram os pais da equipa perdedora que ganharam. Lembrei-me do Ricardo Araújo Pereira, que explica que o humor ajuda a lidar com a morte e outros assuntos pesados. Aqui, não se tratava de um assunto de vida ou morte. O humor também ajuda a lidar com situações menos críticas, como o embaraço. Aqueles pais tinham-se preparado com a arma do humor auto-depreciativo e ganharam, sem dúvida nenhuma. Passaram o embaraço à assistência da equipa adversária, que sentiu desde o início um pudor grande em aplaudir demasiado euforicamente crianças com uma vantagem de idade e tamanho tão notória e até a aplaudir os miúdos da outra equipa pelo esforço.

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